Planta sul-africana desenvolve apêndice para atrair pássaros


Um vegetal nativo da África do Sul, chamado de “rabo-de-rato” (Babiana Ringens) deu mais uma mostra da evolução para sobrevivência da espécie. Aparentemente, a planta desenvolveu no seu tronco, que não tem galhos, uma cúpula para que os pássaros possam ser atraídos, beber néctar e fertilizar a planta no processo.
A descoberta foi feita por pesquisadores do Canadá e da própria África do Sul. Eles observam, desde 2003, que a planta é polinizada exclusivamente por pássaros. Isso é muito incomum, especialmente porque a Babiana Ringens é uma planta rasteira, e as aves evitam se alimentar muito próximas do solo, devido a predadores que não podem voar. Logo, a planta teve que desenvolver uma tática toda especial para chamar a atenção dos pássaros.
Isso deu origem, ao longo do tempo, a uma cúpula cheia de pólen que não era parte original do vegetal. Os cientistas descobriram, a partir de experimentos, que esta cúpula existe apenas quando há pássaros na região: se não houver, ela encolhe e vira um órgão sem utilidade. Biologicamente, essa condição é chamada de relaxed selection (literalmente, “seleção relaxada”): quando certa parte do corpo vegetal perde a função, é descartada naturalmente.
Fonte: Hype Science

Como os animais navegam pelo campo magnético da Terra


Alguns pesquisadores acreditam que certos animais usam bússolas internas próprias para se localizar nas migrações e grandes deslocamentos. Mas, para algumas pessoas, isso é pura fantasia. Agora, há boas evidências de que muitas espécies – incluindo pombos, tartarugas, galinhas, ratos, e possivelmente o gado – podem detectar o campo geomagnético da Terra, às vezes com uma precisão surpreendente.
As jovens tartarugas-cabeçudas, por exemplo, lêem o campo magnético da Terra para ajustar a direção em que nadam. Com a ajuda do sensor magnético, elas ficam sempre em águas quentes durante a primeira migração ao redor da borda do Atlântico Norte.
Com o tempo, elas parecem construir um mapa magnético mais detalhado, aprendendo a reconhecer as variações na intensidade e direção das linhas de campo, que são posicionadas mais acentuadamente em direção aos pólos e mais planamente no equador magnético.
O que não se sabe, entretanto, é como elas sentem o magnetismo. Parte do problema é que os campos magnéticos podem atravessar os tecidos biológicos sem os alterar, de modo que os sensores poderiam, teoricamente, estar localizados em qualquer parte do corpo. Além disso, a detecção poderia não precisar de uma estrutura especializada para isso, mas acontecer a partir de uma série de reações químicas.
Mesmo assim, muitos pesquisadores acreditam que os receptores magnéticos existem na cabeça das tartarugas e de outros animais. Eles poderiam ser baseados em cristais de magnetita, que se alinham com o campo magnético da Terra. Esse mineral já foi encontrado em algumas bactérias e em peixes como o salmão e a truta-arco-íris – que também parecem controlar o campo magnético da Terra à medida que migram.
Mas como uma tartaruga sabe o caminho correto em uma viagem de 14 mil quilômetros pelo oceano a partir dessa hipótese? Alguns pesquisadores apostam que a cabeça do animal seria puxada para o lado correto. Imagine que você está nadando, e quando você vai para o leste, a sua cabeça é puxada para o oeste – é mais ou menos essa a sensação que sentiriam as tartarugas.
Essa é uma das possibilidades. A outra é que pode haver fotopigmentos nos olhos dos animais, conhecidos como criptocromos, que detectam o campo magnético quimicamente e fornecem “dicas visuais” que podem ser usadas como uma espécie de bússola. Se for assim, o animal poderia ver o campo magnético através de padrões de mudanças, como um conjunto de luzes ou cores que se alteram dependendo da direção.
Há algumas evidências de que este pode ser o caso, pelo menos em alguns tipos de animais. Os criptocromos são encontrados na retina de aves migratórias e parecem ser ativados quando as aves estão voando e usando o campo magnético. Além disso, as células contendo criptocromo se conectam com uma região do cérebro que, quando removida, impede a habilidade da ave navegar pelo campo magnético.
Até descobrirmos como esses animais detectam o campo, infelizmente não chegaremos nem perto de saber o que eles vêem e sentem. Mas há um fio de esperança em chegarmos a uma conclusão, com a recente descoberta de que moscas de fruta e peixes-zebra podem detectar campos magnéticos.
Seus cérebros menores e menos complexos tornarão os estudos mais simples do que os que são feitos com as tartarugas selvagens e pombos. Quem sabe, em breve, descobriremos que espécie de bússola ou mapa está presente (e bem escondida) no corpo dos animais.
Fonte: Hype Science

Descobertas duas novas espécies de sapo na Austrália

Duas novas espécies de sapos que vivem na floresta do Cabo York, no norte da Austrália, foram descritas em edição recente da revista “Zootaxa”. Elas foram batizadas de Cophixalus kulakula e Cophilaxus pakayakulangun, e são parentes próximas entre si, embora vivam em lugares distintos.
Por outro lado, as espécies não se assemelham a outras espécies da região, o que leva a crer que tenha evoluído isoladamente – tão isoladas que sequer a população de aborígenes da área as conhecia.
Suas patas grandes e longas demonstram que os sapos estão adaptados a viver em rochas. Para a família a que pertencem, são relativamente grandes – medem cerca de 4 centímetros de comprimento. Seu principal alimento são as formigas.

Cophixalus pakayakulangun

Cophixalus kulakula


Fonte: G1

Ameaça marítima - Aquecimento global acelera erosão na costa brasileira


Nem o sertão vai virar mar nem o mar vai virar sertão, apesar da profecia feita pelo beato Antônio Conselheiro aos sertanejos de Canudos no fim do século 19, sob o sol forte do semi-árido baiano. Mas, em tempos de inquietação global com o aquecimento do planeta, uma amostra do que a costa brasileira deve enfrentar foi desenhada por geógrafos, geólogos e oceanógrafos de 15 centros de pesquisa que acompanham a erosão litorânea há mais de 30 anos. O estudo faz o inventário das alterações no contorno do Brasil em vários pontos à beira do Atlântico – um processo que tende a se acelerar, devido às mudanças climáticas e à conseqüente elevação do nível dos oceanos.

O trabalho – Erosão e Progradação do Litoral Brasileiro – é o mais detalhado diagnóstico já realizado sobre os 8,5 mil quilômetros da costa. Do Oiapoque ao Chuí, a pesquisa esquadrinhou alterações nas linhas litorâneas do país, mapeando não só a erosão, mas também os avanços do continente mar adentro. Coordenador do estudo, o professor de geografia marinha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Dieter Muehe explica o processo: "Em um segmento costeiro, se mais sedimentos são removidos do que repostos, há erosão; ao contrário, se entram mais sedimentos do que saem, há avanço da linha de costa". É a progradação, em linguagem científica.

O litoral brasileiro ganhou o desenho atual depois da última glaciação – um dos períodos na história da Terra em que a diminuição da temperatura fez o volume das geleiras e das neves eternas nas altas cordilheiras aumentar. "O mar desceu cerca de 100 metros abaixo do nível atual. Há aproximadamente 15 mil anos, começou a subir, com oscilações, pequenos recuos e paradas. Formaram-se praias e lagunas em várias posições do que é hoje a plataforma continental. Há 7 mil anos, atingiu o nível atual", explica Dieter Muehe. Nessa elevação após a glaciação, a linha da costa recuou até 80 quilômetros, chegando ao contorno hoje reproduzido no mapa do Brasil.

A erosão é muito mais freqüente que a progradação. Desta, um dos casos mais notáveis está na foz do Jequitinhonha, no município baiano de Belmonte, onde a linha da costa engordou 500 metros, sugerindo uma relação com o assoreamento do rio e o aumento do volume de sedimentos. Outros processos semelhantes são descritos no estudo coordenado por Muehe, publicado em livro pelo Ministério do Meio Ambiente com a chancela do Sistema de Observação Global dos Oceanos (GOOS/Brasil), vinculado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, patrocinadora do levantamento.

Tanto a erosão quanto a progradação têm, contudo, um ponto comum: em grande parte dos casos, a intervenção humana se soma ao balanço do mar no lento mas persistente trabalho de modificação da linha costeira. Com impactos sociais e econômicos, vários locais tiveram seus contornos transfigurados no século 20. De norte a sul, o litoral exibe marcas de maus-tratos impostos pelos próprios brasileiros, seja por meio da urbanização desordenada da orla marítima, seja por mera depredação ambiental.

Água mole em pedra dura

O adiantado processo de erosão na orla do município potiguar de Caiçara do Norte ilustra como o homem acaba ajudando a modificar o litoral. Nos últimos 50 anos, a cidade teve três ruas tragadas pelas águas, que avançaram 300 metros sobre a terra – uma média de seis metros por ano. A situação tornou-se crítica em 1997, quando a prefeitura decretou estado de calamidade pública e obteve recursos federais para a construção de oito estruturas de concreto armado (gabiões) perpendiculares à praia. A obra não produziu o efeito esperado, e a erosão seguiu em frente. Com 6 mil moradores, a 149 quilômetros de Natal, Caiçara do Norte continua perdendo terreno para o oceano.

"Seria impossível uma providência como essa dar resultado sem o controle efetivo dos processos costeiros da região", afirma a geóloga Helenice Vital, do Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Coordenadora no estado do estudo já citado, a professora aponta como causa do problema a falta de suprimento sedimentar, pois o local não tem rios que levem areia e lama para alimentar a praia. O oceano também não tem como contribuir, uma vez que, devido a falhas geológicas, a plataforma continental apresenta altos e baixos que impedem a passagem de sedimentos. "O mar vai continuar avançando", avisa Helenice. "Só há duas opções: fazer a engorda da praia ou recuar a cidade."

Caso clássico de engorda está em Piçarras, município de 11 mil habitantes no litoral norte de Santa Catarina. A ação combinada de aterros em lagoas, obras no rio Piçarras e construção de uma avenida à beira-mar precipitou a erosão. O mar avariou estruturas viárias, desvalorizou imóveis e afugentou turistas. Nos anos 1980, a construção de gabiões não melhorou a situação, por falta de estudos sobre o processo costeiro. Em 1999, um aterro com 800 mil metros cúbicos de areia dragada do mar recuperou a praia, mitigando o problema. Outros municípios catarinenses, como Barra Velha, Navegantes e Balneário Camboriú, também engordaram a orla para remediar males semelhantes.

O pesquisador Antônio Klein, do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), vê a mão do homem no recuo de até 50 metros que ocorreu na linha costeira em Piçarras: "É a má urbanização associada a resultados de mudanças globais: aumento de intensidade de ondas de tempestades e variações do nível do mar", afirma. Ele observa que, se não há como prevenir, a saída é mesmo a engorda ou a construção de molhes e espigões, após estudos. "E é preciso manutenção. De tempos em tempos, em projetos de alimentação de praias, temos de adicionar areia. Obras são paliativos. Local em erosão permanecerá em erosão."

As mudanças climáticas esperadas pelos cientistas são mais uma contribuição humana nesse embate entre a terra e o mar. Embora resulte principalmente das emissões de poluentes dos países desenvolvidos, o aquecimento global promete bater em cheio na costa brasileira. Mas, por enquanto, seus impactos não podem ser previstos com exatidão. "Os maiores problemas ocorrerão em locais de baixa altitude, sujeitos a inundação, como as regiões de delta. As praias poderão se ajustar ou não, dependendo do estoque de sedimentos disponível", avisa Dieter Muehe. Ele antevê maiores estragos no norte e no nordeste, onde a plataforma continental avança com declividade mais suave mar adentro.

"Quanto mais íngreme for a zona submarina, em princípio, menor será o recuo da linha de costa. No sul e no sudeste, a declividade é maior do que no norte e no nordeste", assinala o oceanógrafo da UFRJ, acrescentando que outros fatores vão condicionar a extensão e o ritmo da investida do oceano. "A declividade deve ser vista como mais uma variável do grau de risco potencial. Se a linha de costa for alta, como nas terras com falésias, o recuo será muito mais lento e menor. A presença de recifes, comuns no nordeste, também representa obstáculo, como um quebra-mar natural."

Não é o caso de praias nordestinas açoitadas pelo mar aberto, como as de Macau, município de 26 mil habitantes do Rio Grande do Norte. A força do Atlântico corrói aos poucos a Ponta do Tubarão, mantendo em alerta a Petrobras, que opera poços terrestres de petróleo no local. As causas são as mesmas da erosão em Caiçara do Norte, 50 quilômetros a leste: déficit de sedimentos na faixa litorânea. Em 1993, quando os primeiros poços do campo de Macau começaram a jorrar, o mar estava a 800 metros. Atualmente, as ondas batem perto das instalações, levando a Petrobras a estudar saídas, em parceria com universidades.

Outro desaparecimento de praia que vem dispensando a mão do homem – a ação antrópica, na terminologia científica – acontece na ilha Grande, em Angra dos Reis, na região sul-fluminense. Na praia de Lopes Mendes, o mar já penetrou três metros terra adentro, pondo à mostra as raízes das árvores e escavando cada vez mais o terreno. Outro município do estado às voltas com a força do mar é Maricá. Praias como Ponta Negra e Itaipuaçu ficaram menores e tiveram várias construções derrubadas por ressacas no fim dos anos 1990, por conta da ocupação não planejada da orla e da vulnerabilidade natural ante o oceano, que continua erodindo a costa.

Maré cheia de riscos

O alerta definitivo sobre o aquecimento global foi dado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), em fevereiro deste ano: até 2100, a temperatura da atmosfera vai subir de 1,8º a 4º C. Nos extremos dessa margem de previsão, opõem-se otimistas e pessimistas do mundo científico, enquanto os moderados cravam um prognóstico de 2,8º C. Todos concordam, porém, que o fenômeno vai gerar alterações que não se limitam à elevação do nível do mar. Tempestades e estiagens devem tornar-se mais freqüentes, e os furacões, mais intensos, aumentarão o número de inundações.

O relatório do IPCC não deixa dúvidas: "O aquecimento climático é inequívoco e agora se torna evidente, a partir das observações de acréscimo nas temperaturas globais médias do ar e do oceano, derretimento disseminado de neve e gelo e elevação do nível médio global do mar." O documento Mudança Climática 2007: A Base da Ciência Física é fruto do trabalho de cientistas de mais de cem países. Confirmando uma apreensão que inquietava o mundo desde o final do século 20, o texto prevê que os oceanos subirão de 18 a 59 centímetros até 2100, dependendo do comportamento do clima nas próximas décadas.

No século passado, o mar subiu 17 centímetros, numa escalada que se acelerou nos anos 1990. Não há precedente de alteração tão veloz na Terra, que esquentou 0,76º C desde a Revolução Industrial, no século 19. Na década de 1990, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) saltaram de 6,4 bilhões para 7,2 bilhões de toneladas ao ano. Causadoras do aquecimento global, substâncias como dióxido de carbono e metano são lançadas na atmosfera em decorrência de práticas associadas ao mundo contemporâneo, como a queima de carvão, petróleo e derivados, o desmatamento de florestas tropicais – os pulmões verdes que restaram à Terra – e a atividade agrícola.

A formação de camadas mais espessas de GEE na atmosfera aumenta de modo indesejável o efeito estufa – fenômeno natural, indispensável à vida, que impede que o calor transmitido ao planeta pelos raios solares se dissipe no espaço. Com a retenção excessiva da radiação nas partes inferiores da atmosfera, o acúmulo de calor leva a alterações climáticas que derretem geleiras e camadas de neve nas altas cordilheiras. Nesse ciclo, um dos resultados é a elevação do nível dos oceanos, potencializada pela dilatação da água causada pelo aumento da temperatura. Outro agravante é a aceleração da evaporação no mar, que tende a provocar mais tempestades e furacões, alimentados por concentrações de vapor.

Com poucas áreas costeiras abaixo do nível do mar, o Brasil não está tão desprotegido das marés do aquecimento global quanto países como Holanda e Bangladesh – nações que já se preparam para a perda de imensas faixas de terra e para grandes ondas migratórias. "Isso não significa que não tenhamos vulnerabilidades", adverte o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre. Integrante da rede de cientistas que elaborou o relatório da ONU sobre mudanças climáticas, ele chama a atenção para o risco de impactos em grandes cidades com áreas baixas, como Rio de Janeiro e Recife.

Na capital fluminense, a elevação do mar em 59 centímetros cobriria 79 quilômetros quadrados de alagadiços aterrados no século 20, estima o Instituto Pereira Passos (IPP), da prefeitura. Isso equivale a 6,6% da área do município – algo como um bairro de grandes dimensões como Jacarepaguá, justamente o mais vulnerável ao avanço do oceano. No estudo que realizou, com base no relatório do IPCC, o instituto também fez simulações levando em conta o improvável derretimento de geleiras na Groenlândia e na Antártida. Nesse caso, o mar subiria 1,5 metro e cobriria 145 quilômetros quadrados (12%) da cidade.

Em praias como Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca, o aquecimento global prenuncia mais estragos do que as ressacas que costumam chegar às pistas das avenidas litorâneas. Grande parte dos edifícios da orla carioca está fincada em locais tomados ao mar na segunda metade do século passado. A redução da faixa de praia nesses cartões-postais da cidade é a ponta de um problema que promete dar muita dor de cabeça à população. Em vários e extensos locais dessas áreas, o concreto e o asfalto cobrem pontos a que historicamente chegavam as maiores ressacas – o que leva a supor que o aumento do nível do mar não vai dar trégua à cidade.

Oceano de desafios

"O perigo não se restringe à possibilidade de as cidades ficarem submersas", diz o pesquisador do Inpe José Antonio Marengo. Meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e também participante do mutirão científico que pôs de pé o relatório da ONU, ele manifesta preocupação com impactos em obras de engenharia e na dinâmica do meio ambiente litorâneo: "Com o nível do mar mais alto, as ondas podem produzir erosão em estruturas costeiras, assim como contaminar aqüíferos com água salgada. No caso dos deltas de rios e dos manguezais, em todo o Brasil, o mar pode afetar ecossistemas costeiros de água doce".

Uma amostra do que pode ocorrer com ocupações humanas às margens das desembocaduras de grandes rios está no pontal de Atafona, município de São João da Barra, no norte fluminense. Encravado num banco de areia na foz do rio Paraíba do Sul, o povoado começou a ser engolido pelo mar há meio século, antes mesmo de os cientistas apresentarem ao mundo o fantasma do aquecimento global. Avançando metro a metro, as águas já tragaram ruas de 14 quarteirões e tomaram mais de 180 imóveis – casas, lojas, escola e posto de gasolina. Em ruínas ainda de pé, vivem famílias de sem-teto prontas a bater em retirada quando o mar ruge forte e ameaça lamber mais terra.

Vários fatores naturais conjugam-se contra Atafona, onde a ocupação humana nunca preservou distância prudente do Atlântico e do Paraíba. "Não há como afirmar que a erosão tem causa única, como a elevação do nível do mar. Os motivos estão relacionados com ventos, ondas, marés e correntes litorâneas", resume o geógrafo Gilberto Pessanha Ribeiro. Professor das universidades Federal Fluminense (UFF) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ele coordena o Projeto Atafona – uma parceria entre as duas instituições que realiza o mapeamento cartográfico e o levantamento evolutivo da erosão que leva o lugarejo a encolher.

A impossibilidade de fazer previsões exatas só reforça a necessidade de mais estudos. "Não existem observações sistemáticas sobre o nível do mar no Brasil", lamenta Marengo. Carlos Nobre adverte: "É urgente realizar uma análise mais aprofundada dos impactos e da vulnerabilidade em vários cenários. E isso levando também em conta a maior probabilidade de tempestades severas sobre os oceanos, ressacas mais intensas e alterações nos fluxos de água doce para o mar, como resposta dos continentes às mudanças". Só assim o país poderia adotar políticas públicas para se adaptar às transformações do planeta.

"As estimativas recentes do IPCC indicam que o nível do mar continuará a subir por muitos séculos", explica Carlos Nobre. Como as mudanças climáticas ocorrem em longos períodos, a elevação dos oceanos é resultado de décadas de aquecimento global – e continuaria por largo tempo, ainda que a humanidade deixasse hoje, subitamente, de emitir gases de efeito estufa. O pesquisador do Inpe observa que, de acordo com as estimativas mais pessimistas do IPCC, os oceanos subiriam mais de um metro neste século, se as geleiras da Groenlândia derretessem. A hipótese tem probabilidade diminuta, mas não está descartada entre os cientistas que estudam as mudanças em curso na face da Terra.

O professor Dieter Muehe afirma serem necessários não só estudos, mas também restrições a obras próximas à linha da costa. "O que se pode ir fazendo é inibir a construção em áreas de inundação, deslizamento e proximidade excessiva do mar", recomenda. Ele ressalva, porém, que empreendimentos turísticos não podem ser proibidos com base apenas em cenários incertos: "Para aumentar nossa capacidade de diagnóstico, é fundamental iniciar monitoramentos contínuos e integrados do regime de ondas, do nível do mar e de variáveis climáticas. Isso vai exigir agências específicas e a definição de órgãos responsáveis pela coordenação de coleta, interpretação e difusão dos resultados". O desafio é grande, diretamente proporcional à extensão do litoral brasileiro. 

Fonte: SESC SP

Gabiões e os oceanos


Gabião, se não ouviu falar esse nome peculiar, ao menos já viu por ai sem saber que era isso:É um estrutura de tela de aço galvanizado, normalmente no formato de um paralelepípedo, que é preenchida com pedras. Estas gaiolas são empilhadas, com travamento, sendo amarradas entre si, formando obras de proteção muito práticas, como muros de arrimo, proteção de margens de rio, etc.”
No caso, falaremos da sua utilização em oceanos, para conter um intemperismo normal, onde o mar faz seu processo natural de trocar os sedimentos, levando alguns encontrados ali nas costas marinha e trazendo algumas lá do profundo oceano. Como visto na imagem abaixo.


Assim, os gabiões são construídos perpendicularmente ou paralelamente às praias, funcionando para barrar os sedimentos tragos pelo mar e evitar a erosão da costa, onde os seres humanos passaram à habitar tão próximo desta que correm o risco de seus pertences serem levados para o oceano por conta de um processo natural.
Mas será que os gabiões realmente resolvem todo o problema?
Em partes ele resolve, conforme o fluxo do oceano ocorre para certa direção, os sedimentos que o mesmo trás ficam barrados pelo gabião, mas desta forma o outro lado do gabião não recebe tanto sedimento quanto este, ou seja, existe uma escassez de sedimento fazendo aparecer novamente a erosão e necessitando da construção de outro gabião. Isso pode ser entendido melhor nas imagens abaixo:

Chennai, India - Antes da erosão costeira

Chennai, India - Após erosão costeira e instalação de gabiões
Caraguatatuba, São Paulo - Alguns gabiões
Portanto, vale a pena rever conceitos e refletir sobre a ocupação humana, afinal os seres humanos também tem sua importância na natureza, como qualquer outro ser vivo, mas será que o mesmo está ocupando a natureza sem causar-lhe danos? Fica a questão.

By: Chris

A fruta que consegue transformar o gosto cítrico em doce

Não confie totalmente no seu paladar, ele pode enganar você. Conheça a fruta com poder de modificar a percepção de sabor dos alimentos.
 Desde muito tempo a ciência nos provou que a sensação de doçura que sentimos ao degustar algum alimento é proporcionada pelos hidratos de carbono, também denominados como açúcares. Nós detectamos os sabores através dos sensores de gosto (papilas gustativas) na língua; mas esses sensores podem ser enganados pelos sabores.
 A Richardella dulcifica um pequeno fruto avermelhado, originário da África Ocidental, tem propriedades de modificar o gosto de alimentos ácidos e minerais diluídos e ácidos orgânicos em um sabor doce, basta mastigarem a polpa da fruta; este efeito tem duração de 1 a 2 horas.
Isso ocorre devido a uma glicoproteína chamada miraculina, composta de 191 aminoácidos e algumas cadeias de açúcares. Inicialmente a miraculina tem sabor azedo para o paladar humano, mas uma vez que a língua humana é exposta a miraculina a percepção do sabor de alimentos azedos ou cítricos torna-se doce por até uma hora.
Uma milésima parte de um grama de miraculina é suficiente para alterar a percepção do paladar humano; alguns pesquisadores acreditam que esta glicoproteína tem capacidade de mudar a estrutura dos sensores de sabor dos seres vivos.
Geneticistas japoneses têm conseguido produzir em laboratório através de engenharia genética, outras plantas produtoras de miraculina. Podemos citar a alface como exemplo.
Esta glicoproteína poderá também ser utilizada pela indústria de adoçantes e alimentos dietéticos. A fruta é largamente usada pelos praticantes de dietas, por ser um fruto com pouquíssimas calorias. Nos Estados Unidos ainda esta em fase de pesquisa para a comercialização e liberação pela FDA.

Fonte: Jornal Ciência

A escala do tempo - A vastidão do Tempo Geológico!

O que pensaria uma borboleta que possue uma vida de apenas um dia sobre uma sequoia que perdura por milhares de anos? Provavelmente acreditaria que a sequoia esteve sempre ali, imutável, estática e sem vida. Já um outro observador, de vida mais longa, poderia acompanhar diversas etapas da vida da sequoia, ver seu nascimento e seu crescimento, apenas porque vive em uma escala de tempo mais compatível com as taxas dos processos vitais dessa árvore. Nós humanos estamos para a Terra assim como a borboleta está para a sequoia. Ou seja, de modo geral não somos capazes de abstrair o significado da escala de tempo dos processos geológicos. O intervalo de tempo que compreende toda a história da Terra, desde sua formação até o período atual, é o que denominamos de Tempo Geológico. Ou seja, o Tempo Geológico corresponde aos 4,6 bilhões de anos da Terra.

Será que você é capaz de imaginar o que significa todo esse intervalo de tempo? Provavelmente não. Para melhor compreender essa escala de tempo nos podemos fazer uma pequena simulação:

"Imagine que os 4,5 bilhões de anos da Terra foram comprimidos em um só ano (entre parênteses colocamos a idade real de cada evento). Nesta escala de tempo, as rochas mais antigas que se conhece (~3,6 bilhões de anos) teriam surgido apenas em março. Os primeiros seres vivos (~3,4 bilhões de anos) apareceram nos mares em maio. As plantas e os animais terrestres surgiram no final de novembro (a menos de 400 milhões de anos). Os dinossauros dominaram os continentes e os mares nos meados de dezembro, mas desapareceram no dia 26 (de 190 a 65 milhões de anos), mais ou menos a mesma época em que as montanhas rochosas começaram a se elevar. Os humanóides apareceram em algum momento da noite de 31 de dezembro (a aproximadamente 11 milhões de anos). Roma governou o mundo durante 5 segundos, das 23h:59m:45s até 23h:59:50s. Colombo descobriu a América (1492) 3 segundos antes da meia noite, e a geologia nasceu com as escritos de James Hutton (1795), Pai da Geologia Moderna, há pouco mais que 1 segundo antes do final desse movimentado ano dos anos." (extraído de Eicher, 1968) 

O tempo geológico está dividido em intervalos que possuem um significado em termos de evolução da Terra. A escala do tempo geológico, cujo esqueleto rudimentar foi estabelecido ainda no século XIX , está dividida em graus hierárquicos cada vez menores da seguinte forma:
 * Éons (Hadeano, Arqueano, Proterozóico e Fanerozóico);
 * Eras (apenas no Éon Fanerozóico: Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica);
 * Períodos (para cada uma das eras do Fanerozóico);
 * Épocas (subdivisões existentes apenas para os períodos do Cenozóico).

Escala do Tempo Geológico com alguns eventos geológicos importantes assinalados.

Essas subdivisões foram estabelecidas ainda antes do desenvolvimento dos métodos de datação absoluta. As subdivisões de tempo definidas, portanto, não representam intervalos de tempo equivalentes, mas refletem a possibilidade de desvendar os detalhes da evolução geológica em todos os tempos. O registro geológico mais recente é mais completo e apresenta maior número de fósseis, permitindo delimitar intervalos temporais menores. O registro da evolução geológica antiga é muito mais fragmentado e com a ausência de fósseis possibilita apenas a delimitação de intervalos de tempo maiores, marcados por grandes eventos globais.

A história geológica da Terra é atualmente descrita por uma espiral temporal indicando que processos atuais ocorreram no passado (Uniformitarismo), mas não da mesma forma, com mesma intensidade e não necessariamente todos os processos do passado ocorrem no presente e vice-versa.

Fonte: UFRGS